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Estudantes de Sobral têm desempenho em leitura acima da média dos países ricos



A Prefeitura de Sobral apresentou, na terça-feira (30/04), o desempenho dos estudantes de sobralenses no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – Pisa para Escolas. O evento foi realizado no Centro de Convenções de Sobral e reuniu diretores, professores e estudantes das redes públicas de ensino municipal e estadual. O desempenho das 16 escolas públicas participantes de Sobral é maior que os resultados do Brasil no PISA 2015 e essa diferença é estatisticamente significativa, confirmando o que os dados da prova Brasil já apontavam sobre a qualidade da educação de Sobral.

Segundo o secretário da Educação, Herbert Lima, “Sobral tem conseguido elevar os seus indicadores educacionais e avançar em alguns desafios que a educação pública brasileira ainda precisa superar, mas sabemos que este é um trabalho diário, permanente, que exige muito foco e muito empenho. Não estamos aqui para posicionar o município de Sobral em um ranking de países. Estamos iniciando um novo ciclo na política pública de educação com um novo parâmetro de referência para que se renove a busca pela melhoria da qualidade educacional do nosso município”.



Em leitura, o desempenho médio dos 10% de alunos com maior desempenho do grupo foi de 530 pontos do PISA, ficando acima da média da OCDE no Pisa 2015 que foi de 493 pontos. A Escola Estadual de Ensino Profissional Lysia Pimentel Gomes foi o destaque do grupo com nota 505,72 superando a nota de países como Austrália, França e Reino Unido. Outras nove escolas de Sobral ficaram acima da média do Brasil que foi de 407 pontos no Pisa 2015.

Em matemática, os 10% de alunos com melhor desempenho obtiveram 482 pontos do PISA, acima da média do Brasil que foi de 377 pontos e de países como Estados Unidos, Chile e Argentina. O desempenho em Ciências atingiu 488 pontos do PISA, acima da média do Brasil. As 16 escolas estaduais que participaram da prova receberam certificado de honra ao mérito concedido pela Prefeitura de Sobral.



Representando a Fundação Lemann, parceira de Sobral na aplicação do Pisa para Escolas, Lucas Rocha parabenizou o município pela iniciativa e destacou os principais aprendizados com os resultados. “É necessário coragem e humildade para participar de uma avaliação dessa e entender que existe um longo caminho para crescer, evoluir. Acreditamos em construir decisões e políticas públicas baseadas em evidências e queríamos entender como estava as melhores escolas do Brasil em relação a parâmetros internacionais. É muito importante aprender com Sobral, que hoje representa o topo da educação brasileira, que caminhos seguir como o novo currículo de Ciências, uma aula mais significativa, tudo isso apronta caminhos para as outras redes brasileiras”.

Com o apoio da Fundação Lemann, em outubro de 2017, técnicos da Fundação Cesgranrio aplicaram o Pisa para Escolas para 1.066 estudantes de 16 escolas públicas de Sobral. O Pisa para Escolas mensura o conhecimento e habilidades dos estudantes de 15 anos de idade em leitura, matemática e ciências, além de avaliar o ambiente disciplinar, relacionamento entre professor e aluno, autoeficácia e motivação dos estudantes para aprender.



Para o ex-prefeito de Sobral, Veveu Arruda, a aplicação do Pisa fez reviver o que aconteceu no ano de 2000, quando uma avaliação externa revelou que as escolas sobralenses não estavam conseguindo alfabetizar as crianças. “Esta avaliação favoreceu uma profunda reflexão, compartilhamos os resultados, que eram muito ruins, e a atitude foi dizer que ‘somos capazes de reverter este quadro’. Fomos investigar as causas e houve uma mudança da estratégia que passou a ter como foco a gestão da aprendizagem na sala de aula. E isso nos levou a ter hoje Ideb 9,1 nas séries iniciais e 7,2 nas séries finais do Ensino Fundamental, ficando em primeiro lugar no Brasil. Precisamos nos debruçar sobre esses resultados olhando para o que eles nos apontam como desafios. Esses resultados nos mostram que somos capazes de fazer mais e melhor.”

O PISA mostrou que conciliar excelência e equidade é possível e é uma meta para muitos sistemas escolares em todo o mundo. A lacuna de desempenho pode ser particularmente pequena em alguns países e economias de alto desempenho. Por exemplo, no PISA 2015 de Matemática, países de alto desempenho como a Finlândia (511 pontos), Dinamarca (511 pontos) e Estônia (520 pontos) conseguiram obter uma diferença significativamente menor entre alunos de alto e baixo desempenho. A diferença foi de cerca de 210 pontos do PISA nos três países, contra 220 pontos do grupo de alunos das 16 escolas públicas de Sobral no PISA para Escolas 2017.

Os dados do PISA em todos os ciclos sugeriram que melhorar o relacionamento entre professor e aluno e o ambiente disciplinar nas escolas, além da autoeficácia e a motivação dos alunos para a aprendizagem, poderia contribuir para melhorar o desempenho e o bem-estar dos alunos na escola. As 16 escolas públicas examinadas seguiram a tendência internacional, mostrando que o desempenho está positivamente associado aos quatro indicadores mencionados acima.

Nas 16 escolas públicas participantes, observou-se uma tendência positiva entre o desempenho e o relacionamento entre professores e alunos assim como a importância de um bom ambiente disciplinar nas salas de aula. O PISA 2015 sugeriu que a redução de problemas disciplinares em sala de aula pode não apenas levar a um melhor desempenho dos alunos, mas também proporcionar o tipo de ambiente de aprendizagem ordenado que leva a relacionamentos sociais de apoio.

Além do ambiente escolar, a crença de um aluno em sua própria capacidade de lidar com questões de matemática e ciências está positivamente associada ao desempenho. A autoeficácia geral dos alunos em matemática e ciências foi superior à do Brasil. Isso sugere que os alunos das 16 escolas públicas participantes possuem, de modo geral, um grau maior de confiança em suas habilidades em matemática e ciências.

A motivação dos alunos para se engajar na aprendizagem de uma disciplina é um fator importante associado ao seu desempenho. Entre os alunos das 16 escolas públicas participantes, foi observada uma relação positiva entre ciências e motivação. É importante ressaltar que o grau de motivação instrumental foi superior ao do Brasil no PISA 2015 e ficou acima da média da OCDE.